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quinta-feira, 28 de julho de 2011

Kà by Cirque du Soleil - 5th Day

05 de Julho, quinto dia seguido de Las Vegas. Era chegado um dos momentos mais aguardados... finalmente veria o tão comentado show no inspirador livro sobre o Cirque du Soleil... "KÀ". Apesar das minhas 2hs e meia entre Hollywood e Torrance ou 1h e meia de Newport a Long Beach, NÃO sou um "Iron Man" e a inicialmente "desastrosa" pestaninha da noite anterior não poderia ter sido mais providencial! Estava PRONTO, de energias renovadas, para me deliciar com o que é, ao lado de "O", o mais famoso espetáculo do Cirque na cidade. Após passar algumas horas na internet do Monte Carlo fazendo alguns contatos importantes, fazer mais uma das minhas "blitz", no Bellagio, e pequenas comprinhas no (bendito) CVS, pouco antes das 7pm eu já estava no Teatro do MGM.


 
KÀ


Como eu havia escrito na própria noite, minha primeira impressão, pelo Facebook...

"Já imaginou assistir a um filme 3D em iMax, mas SEM (a necessidade de) usar óculos? Mais do que isso... com os atores interpretando as cenas AO VIVO? Com mudanças de cenários em tempo real, vendo efeitos especiais diante dos seus olhos? É a sensação q tive ao assistir Kà. Nunca vi NADA igual. De longe o mais impressionante espetáculo do Cirque que eu já vi!"

imagem - Cirque du Soleil

Pois é. Parece mesmo que a gente assiste a um filme sendo rodado ali mesmo, no palco... é inefável! Maravilhoso! Depois de um "esquenta" bastante envolvente com membros do elenco caracterizados, uma introdução narrada foi dada... e em INGLÊS (ao contrário do Mystêre, hehe, com algumas falas em francês). O enredo é simples... servindo de pano de fundo para todos os números e toda a magia encenados no palco. A idéia aqui não é trazer "spoilers", maaaas... a cena do navio navegando já é muito legal... MAIS impressionante AINDA é a do naufrágio. CINEMA AO VIVO! Um grande desafio até mesmo pro arquiteto aqui sacar as tecnologias usadas pela cenografia para criar com tamanha beleza uma cena de afogamento dos personagens em meio a "bolhas" e o fundo do mar no palco. E não pára por aí. A cena da areia da praia mistura talentos clownescos com muita criatividade na interpretação de animais pelos atores. Muito mais artístico é recriar uma tartaruga com figurino e gestual do que adestrar animais... a estrela do mar, então... lembra bastante o tapete voador do Alladin, mas não deixa nem um pouco de ser original (e eu nem sei quem surgiu primeiro... enfim...). E quando a "plataforma" se inclina... muito legal é o escorregão do ator em meio aos grãos de areia!

imagem - Cirque du Soleil
    imagem - www.hellovegas.com          imagem - http://media.accessvegas.com

Aliás, a tal "plataforma" fica mudando de ângulo como se fosse uma lâmina pequena e leve operada simplesmente por um contra-regras. Em determinado momento ela se transforma numa "parede de escalada" vertical que dá lugar a uma verdadeira batalha... em "vista superior"! Ou seja... não só se trata de um "cinema ao vivo", mas com ousados movimentos de câmeras! Esta "batalha" é algo realmente indescritível... só mesmo assistindo... flechas viram "hastes" de metal por onde há números dificílimos de acrobacia... o que me faz lembrar, novamente, de outro texto... desta vez publicado aqui mesmo neste mesmo blog, quando da primeira ocasião em que assisti a um espetáculo do Cirque em Vegas:


"Outro aspecto responsável pelo sucesso interminável do Cirque é o conceito trabalhado por todos atletas/artistas de realizarem verdadeiras proezas atléticas que exigem do corpo um esforço máximo de seu limite físico!... mas aparentam não fazer esforço nenhum... e essa é a chave pra que a platéia alce voo e acredite na história, na interpretação, na magia! (não só impressionar, mas emocionar... arrancar não só “ooohs”, mas lágrimas)"


E o negócio emociona mesmo, viu??? Se envolver com a dramaticidade de uma batalha praticamente se esquecendo de que, na verdade, é a gravidade que está sendo desafiada, não é pra qqer um! E há outros tantos números marcantes... poderia citar aqui o jogo de sombras projetadas no fundo do palco, "simulando" animais à perfeição (e, me desculpem... justiça seja feita, mas já havia visto algo muito parecido com ninguém menos que a Oficina dos Menestréis de Oswaldo Montenegro... é... ele mesmo... hehe, guardadas as devidas proporções, mas em "Dança dos Signos" lembro de haver uma cena de um casal que é um pouco similar). Ou seja... a velha habilidade de transformar um "clichê" em algo especial, arrancando suspiros da platéia. MUITO bom. Dá pra citar também o casal que faz o número dos lençóis/cordas (um dia eu aprendo os nomes corretos, hehe). Desafiar a gravidade mas com uma carga de dramatização enorme. Maravilhoso!

 imagem - Cirque du Soleil

O espetáculo acaba com um "happy ending" pra lá de merecido e a platéia emocionada, impressionada, envolvida, boquiaberta. É simplesmente SURREAL, é MAGIA PURA! Até então foi, DE LONGE, o mais impressionante espetáculo do Cirque. Tudo é grandioso e especial... a começar pelo teatro, com plataformas e passarelas em volta. Dessa vez acertei em pegar a primeira sessão. Pude ter tempo suficiente para voltar ao hotel, terminar de "digerir" tudo que havia acabado de acontecer e me preparar pra noite.


Escrito em Miami, postado em Sampa

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Mystère and July 4th - 4th Day

Segunda-feira, 04 de julho... o famoso feriado. E também a despedida dos meus companheiros de HANGOVER... manhã de arrumações de malas, check-out de hotel, check-in "solitário" no Hooters, já lá pelas 2, 3 da tarde. Às 7 se iniciaria a sessão do Cirque du Soleil no Treasure Island... O PRIMEIRO show da companhia na cidade, em cartaz desde 1993, junto com a inauguração do hotel! Maioridade... 18 anos! História pura... ápice do dia... fui caminhando sem pressa pela Boulevard, com bastante antecedência e "muitos pitstops" até chegar, meia hora antes, no teatro.


MYSTÈRE

Eu sempre digo que é bom chegar com pelo menos 15 minutos de antecedência a qualquer apresentação do Cirque. Às vezes há algum tipo de "aquecimento", às vezes não... no caso do Mystère, acertei na mosca. Acho que um dos melhores clowns da companhia deve ser o deste espetáculo. Coincidentemente, ele é destaque de matéria da edição "spring" da "Inside Cirque du Soleil", espécie de informativo do Cirque que circula em Las Vegas. Brian Dewhurst, com impressionantes e NADA aparentes 79 anos de idade. Um show à parte. Só mesmo assistindo... até porque certamente muda a cada apresentação... muita interação com diversas pessoas da platéia, muita improvisação. Genial!


Depois do excelente aquecimento, começa o espetáculo... com outro clown, dessa vez no palco, no espetáculo, vestido de bebê. Engraçadíssimo, brincando com a bola (haha, meio que me lembrou um pouco o Quico) que lança pra platéia e logo em seguida serve para "reconhecer sua mamãe", imediatamente chamada para subir ao palco. É o tipo de brincadeira que funciona com todo o tipo de gente que NÃO "tem cara de mãe"... imagina um brutamontes, ou um japa tímido, ou ainda alguém do sexo feminino, mas jovem, desinibida... com qualquer um desses a brincadeira de "mijar na cara" em pleno palco seria sim cômico, muito engraçado. Mas... na apresentação... eis que a "mãe" escolhida é uma senhorinha... seria "heresia" da minha parte dizer que é falta de feeling um bebê gigante lançar um jato "de mijo" na cara? Por segundos, a senhorinha parece não saber o que fazer, até deixar o palco... sei lá, na minha visão, um pouco embaraçoso, não consigo aplaudir.

Deixando isso de lado, espetáculo esteticamente MARAVILHOSO. A música ao vivo... não sei descrever... bela, mas... diferente, qual estilo atribuir? Difícil... aliás, todo o espetáculo um pouco abstrato, "nebuloso", melhor dizendo... "MÍSTICO". Como no próprio livro que li, sobre a história do Cirque... ousado. Escuro... com abuso (no bom sentido) de cores fluorescentes. Se me parece inovador hoje em dia, imagine o efeito e o impacto 18 anos atrás! Hoje o Cirque tem SETE espetáculos em cartaz na Boulevard... ESTE foi o PRIMEIRO. Não há (ao menos pra mim, hehe, me desculpe se fui incapaz de sacar) muita clareza no enredo (com algumas falas em francês, diga-se de passagem), mas acho que a subjetividade é um dos objetivos. Figurinos diferentes, pra lá de originais... e, se alguns "números" não surpreendem tanto pelo fato de, naturalmente, serem "repetidos" e, até, de certa forma terem sido "aperfeiçoados" (a cama elástica tripla talvez seja o melhor exemplo) em outros espetáculos que eu já havia assistido (este era o quarto que eu assistia em Vegas), vale lembrar que este foi o PRIMEIRO (me desculpem a redundância) show em Vegas e, portanto, natural ter "versões mais antigas" de certas "engenhocas" utilizadas no palco. Mas uma particularidade bastante explorada e marcante é o abuso (de novo no bom sentido) das "pernas de pau" (ou "stilts"), especialidade (talvez não por acaso) de Gilles Ste-Croix, diretor de criação do Cirque e especificamente do Mystère.

O pole dance com criaturas que parecem animais/insetos subindo em árvores é talvez a parte mais legal. Muita rapidez, muita sincronia e uma leveza que, como acontece nos shows do Cirque, fazem o número parecer de fácil execução. A gente se envolve na atmosfera, na interpretação e se esquece que em determinados momentos a gravidade é desafiada... só enxergamos os personagens... grande diferencial do Cirque em relação a outros circos. No fim, o show é mais envolvente do que surpreendente. Óbvio que recomendo... com um pequeno "conselho" a mais... tentem assisti-lo ANTES dos outros... aliás, assistir aos sete espetáculos "na ordem cronológica dos que estrearam antes" é um cuidado que não tive e que pode trazer um pequeno mas relevante "incremento" na experiência.

4th OF JULY!

Se geralmente assistir à primeira sessão de um espetáculo é melhor por causa do horário, pra poder curtir a balada depois... no caso do feriado de 4 de Julho parece ser o contrário. Tendo saído do teatro do Mystére pouco antes das 9 da noite, comecei a procurar "bons lugares" nas inúmeras passarelas da Boulevard para ver o tal "fireworks". Mas meus companheiros de Hangover fizeram falta... a espera solitária foi insuportável. Sem contar que, talvez pela expectativa de todos, nem pelas ruas a típica interação "fácil" (se compararmos com o padrão estadosunidense) com "transeuntes" turistas das mais variadas nacionalidades estava acontecendo. Fui caminhando em direção ao MGM, buscando ângulos bons e esperando o início de algum festejo, queima de fogos, parada, ovni, estrela cadente, aurora boreal, ou coisa q o valha... lá pelas quase 11 da noite cansei. Fui tomar um banho para voltar revigorado à Boulevard mas a pestaninha que decidi tirar na cama foi fatal...


Escrito em Miami, postado em Sampa